Artesanato do Interior do CE colhe os frutos da internet – Diário do Nordeste – internet pink blog

Com seus produtos expostos em site, artesãos de Várzea Alegre atingem mais mercados no País

Dona Rosinha se surpreendeu com os resultados da loja virtual FOTO: DIVULGAÇÃO

Se para companhias de grande porte que contam com unidades espalhadas por todo o País, a criação de lojas virtuais é uma ferramenta capaz de impulsionar fortemente as vendas, o ingresso no mundo virtual pode ter um impacto muito maior para empresas de pequeno porte, que têm na internet o principal meio de contato com clientes de outros estados ou países.

No caso de uma comunidade de artesãos localizada no município de Várzea Alegre, que fica 467 quilômetros distante de Fortaleza, a criação da página foi responsável por ampliar a atuação do grupo de uma forma que nem os próprios trabalhadores esperavam.

Criada na década de 1980, a Associação Comunitária dos Artesãos de Mocotó possui uma longa trajetória de pequenas conquistas na vida dos mais de mil trabalhadores de Várzea Alegre que a compõem. Um dos “saltos” mais recentes se deu no início do último ano, quando mãos há décadas habituadas à tecelagem passaram a ter uma nova atividade: alimentar o recém criado site da associação.

Para estrangeiro ver

Com conteúdo em português, inglês e espanhol, a página eletrônica possui diversas seções além da apresentação dos produtos e espaço destinado aos pedidos. Através do menu principal, é possível ter informações sobre o processo produtivo da associação e conhecer um pouco da história das próprias artesãs.

“Após o processo de produção, as peças passam pelo controle de qualidade para verificação de possíveis incorreções, nos aspectos inerentes ao bordado, textura, tamanho, encaixe, tonalidade e uniformidade. Esse controle de qualidade e de padronização se reveste de grande importância, pois resulta em bens finais com características funcionais, estéticas e diferenciais, que surpreendem e encantam o cliente”, apresenta o site.

Vendas duplicam

De acordo com a presidente da associação, Maria Miguel de Oliveira – ou simplesmente Rosinha -, desde que a loja foi criada, as vendas do grupo duplicaram, passando de uma média de 150 para 300 itens mensalmente. A abrangência também foi ampliada. Atualmente, a associação atende a clientes de todo o País e pretende, nos próximos anos, começar a exportar. Conforme Rosinha, o grupo não esperava que, com a loja virtual, a associação se tornasse tão conhecida em todo o País. “O número de pessoas que têm conhecimento da gente triplicou”, comenta. “Saber que a gente, de uma comunidade rural, chegou à cidade e agora é conhecido em nível nacional e até internacional gratifica muito a gente”, complementa.

Muitos antes de iniciar o contato coma internet, a associação já atuava no Interior do Estado. A ideia de criar a associação surgiu nos anos de 1987 e 1988, quando um grupo de mulheres composto por três irmãs, com a ajuda de instituições parceiras, decidiu realizar uma série de reuniões para discutir e buscar alternativas no âmbito da geração de ocupação e renda para os moradores do distrito de Mocotó.

História

Dentre as ações levantadas, na ocasião, a que obteve maior adesão foi a instalação de uma fábrica comunitária de redes de dormir, em função das atividades ali exercidas por muitas mulheres, já experientes em bordado e crochê. A partir desse esforço inicial, surgiu, em 30 de maio de 1988, a Associação Comunitária de Mocotó, tendo como liderança a Rosinha.

Posteriormente, migrou para um empreendimento coletivo de uma mini fábrica comunitária de redes, com o objetivo de gerar ocupação e renda. Hoje, conta com estrutura organizacional formada por Diretoria e um Conselho Fiscal, que executam as atividades discutidas e pactuadas pelos associados. (JM)

Capacitação muda visão do lojista

A criação do site da associação de artesãos nasceu a partir de cursos e capacitações dos quais o grupo participou em iniciativas do Serviço de Apoio à Micros e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae-CE). Além do processo de capacitação para ter uma loja virtual, destaca, os artesãos passaram por qualificações voltadas para uma série de aspectos, como o aprimoramento da comunicação com o cliente. Neste ano, o grupo de Várzea Alegre foi contemplado pelo Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato.

De acordo com a articuladora de Acesso ao Mercado do Sebrae-CE, Mônica Tomé, o processo de criação de um site de comércio, mesmo entre pequenas empresas, não é considerado difícil.

Desafio

O principal desafio a ser superado, afirma a especialista, é sensibilizar o empreendedor – que, por diversas vezes não é muito habituado a navegar na internet e não tem afinidade com o mundo online – e convencê-lo da importância de manter um site. Em muitos casos, afirma, os filhos dos proprietários das lojas são os principais “parceiros” do Sebrae durante a capacitação, já que, em tese, possuem relações mais estreitas com a web.

Espaço sobrando

Mônica Tomé ressalta também que o número de lojas desse tipo no Nordeste ainda é relativamente pequeno. No entanto, segundo ela, é exatamente por esse mesmo motivo que há um grande potencial de crescimento para os empreendimentos da Região. “Existe um espaço muito grande para isso”, avalia. (JM)

via internet – Google Notícias http://news.google.com/news/url?sa=t&fd=R&usg=AFQjCNHqHztQiav7Mb33y3EYTQJpmnkJWA&url=http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo%3D1184466

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